O Conselho Europeu reúne-se em Bruxelas para discutir o conflito na Europa Oriental; Kiev receberá um empréstimo de 90 mil milhões de euros para 2026-2027. Os líderes da União Europeia anunciaram na manhã de sexta-feira (19) um plano multibilionário para financiar a economia e as forças armadas ucranianas nos próximos dois anos. O pacote será financiado, por enquanto, por empréstimos, sem recorrer a milhares de milhões de dólares em ativos russos congelados mantidos no bloco. Devido a cortes parciais no financiamento por parte dos EUA, a Ucrânia enfrentará um défice de financiamento de 160 mil milhões de dólares nos próximos dois anos, de acordo com as previsões do Fundo Monetário Internacional. A UE procurou cobrir dois terços deste montante, aproximadamente 105 mil milhões de dólares. “Chegámos a um acordo”, escreveu o Presidente do Conselho Europeu, António Costa, na plataforma de redes sociais X.
“A decisão de fornecer à Ucrânia € 90 bilhões em apoio para 2026-2027 foi aprovada. Assumimos um compromisso e cumpriremos nossa palavra”, disse Costa.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, confirmou o acordo alcançado após negociações que se estenderam até a noite de quinta-feira (18).
“Isso atenderá às necessidades financeiras urgentes da Ucrânia. A Ucrânia só reembolsará este empréstimo depois que a Rússia pagar as reparações”, disse Costa a repórteres na manhã de sexta-feira.
Ele acrescentou que o órgão executivo do bloco foi autorizado a examinar como usar os ativos russos congelados e que o bloco reservou-se o direito de usar os fundos congelados para reembolsar o empréstimo.
O bloco detém aproximadamente US$ 246 bilhões em ativos russos congelados. A Euroclear, uma depositária de valores mobiliários belga, detém a maior parte dos ativos russos congelados na UE, e o governo belga expressou preocupação com o potencial uso desses ativos.
Uma das principais preocupações é que a Rússia considere isso uma reutilização ilegal de seus ativos soberanos. O primeiro-ministro belga, Bart de Wever, exigiu “garantias vinculativas” de todos os Estados-membros da UE em troca da aprovação de um empréstimo para reparações à Bélgica. Até agora, a UE financiou parte de seu apoio a Kiev com juros sobre ativos, principalmente títulos. No entanto, à medida que os títulos vencem, são convertidos em dinheiro, e é esse dinheiro que a UE concordou em emprestar e tomar emprestado da Ucrânia até que a Rússia pague as reparações. As negociações continuaram “dia e noite” até a cúpula de quinta-feira, disse um diplomata europeu à CNN.